Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Da Eternidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Da Eternidade. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Da Reinvenção (Ausência)

AUSÊNCIA

 "Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua."

"Auséncia" de Sophia de Mello Breyner Andresen

_

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Da Despedida (gesto)

Despedi-me do teu peito:
Do lugar onde repousava a cabeça
Do afago onde buscava conforto
Da curva terna onde eu me completava...

Despedi-me do bater do teu coração:
Da melopeia que me embalava
Do retumbar onde eu lia o teu amor
Do troar que nos tornava um.



Sózinha, reparo que me despeço mais de mim - do que fui, do que procurei, do que entreguei - do que de ti.


_

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Do Amor (existência)

"Somente as coisas tocadas
Pelo amor das outras
têm voz"
excerto de um poema de Fiama Hasse Pais Brandão

Hoje, na costumeira hora de entretenimento diário com os jornais (não, não são os jornais que são diários: é mesmo o meu entretenimento...), encontrei em grandes letras a inscrição que transcrevi.

Uma inscrição que é um luzeiro. Em palavras simples, a evidência que somos amor.

É uma felicidade ser-se retratada assim!





_

domingo, 27 de junho de 2010

Do Afecto (saudade)

"Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda."

Aproveitar o Domingo para pôr em ordem a papelada... Esse era o plano... Que, como quase todos os que fazemos, tentando meter uma vida num dia, ficou pelo caminho. Sem pena!

Ao tentar guardar mais uns papéis numa gaveta já a clamar clemência, dei por mim a rever tantas pessoas queridas que ponteiam tantos momentos felizes da minha vida! Tantas saudades!

Os amigos da escola, as meninas das confidências, os compinchas das tropelias, as companhias das folgas aos professores, o bando dos "nico-picos", o grupo das passeatas... As nossas gargalhadas, os nossos disparates, as nossas anedotas, a nossa solidariedade, a nossa afinidade e disponibilidade... Um mundo!

Dei por mim a desejar ter toda esta trupe por cá...
Amigos cuja presença se foi esbatendo ao longo de 20 anos de "cada um segue a sua vida", como se as vidas fossem estanques!...
Amigos - uns de longe, outros de perto - mas que lembro com saudade, estimo com afecto e espero como milagre!

Por isso, quando reli estes magínificos versos de Sophia (são todos magníficos..., para dizer o mínimo!), decidi dedicá-los a todos estes meus Amigos a quem dedico um grande afecto apesar de, há tanto tempo, os não ver.

Ao Agostinho (o meu "se"), à Ana Paula (companheira de tanto comboio), à Zélia (a amiga da tropelia às palavras), à Elisabete (a enciclopédia das anedotas), à Paula Cristina (a amiga mais vaidosa), à Anabela (a voz de sereia), à Elsa (a nossa noiva de Maio), ao Vítor (com ele íamos às jaulas), à Lurdes, ao Manuel e a tantos, tantos outros...

Tantas as saudades... Tão bom pensar que permanecem por cá, no coração. Tão bom ter a certeza que, quando os reencontrar, o afecto continuará a ser o nosso vínculo.



_

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Da Ternura (sempre)

"Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti."
um imenso poema de Alexandre O'Neill
Quase parece um poema de adeus, não é?
Mas é muito mais...

A plena consciência - a amorosa consiciência - do espaço que o outro vai deixar vazio é a própria consciência de que se ama. Não de "quanto" se ama: ou se ama ou não...
Não há cá amo-te "muito" ou outras declinações quantitativas... Admito um "amo-te tanto..." (já a raiar o excessivo) como que significando "não tenho como te exprimir o meu amor", mais que isso é tirar profundidade à espressão verbal desse sentimento...

Um "amo-te" não precisa de adjectivos, que qualificativos, de quantificadores e de outros retoques.
Amo-te.
É um grito - seja no sentido literal, ou um sereno e expressivo sussurro. Avassalador. Não deixa dúvidas. Não admite meias-medidas.
É. E basta - tanto!

Voltemos ao poema. Aprecio particularmente a economia de meios destes poemas de poucas letras onde cabe o nosso mundo, onde cabe o também o  mundo do outro que abraçamos na vida.
Um espelho que sintetiza e nos revela o nosso mundo, envolto em diáfana ternura - como tudo o que construímos em sólidas fundações (liberdade, verdade), num espaço sempre aberto mas resguardado pelo nosso peito.

Viver o hoje como se não houvesse o amanhã. Valorizar o que temos, reverenciar, amar, proteger... Uma atitute sã, prudente - o amanhã, o daqui a bocadinho... são tão incertos! -, zelosa e amável para com a presença do outro... Afasta, certamente, a curva onde nos afastaremos dele... Permite-nos "tropeçar de ternura" (expressão incrivelmente bela, incrivelmente tocante) e ficar...

Tão bom quando a curva que nos há-de separar vai ficando mais longe, enquanto percorremos um caminho onde tropeçamos em carinho, em afecto, em amor.

E é assim que entendo este poema: não um adeus, ou uma certeza de um adeus.
A certeza de termos de continuar - e continuaremos - a cuidar da ternura.